Morre Fênix, cão de resgate que marcou a história dos Bombeiros de Goiás
Animal participou de operações em Goiás e em outros estados, incluindo as buscas durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) comunicou, na quarta-feira (2), a morte de Fênix, cão de busca e salvamento que integrou a corporação e participou de importantes operações em Goiás e em diferentes regiões do Brasil. A trajetória do animal foi marcada pelo trabalho ao lado dos bombeiros em ocorrências de desaparecimento, localização de vítimas e operações realizadas em áreas atingidas por desastres.
Fênix nasceu em 22 de julho de 2019 e teve uma história de sobrevivência desde os primeiros dias de vida. Ele era filho de Vênus, cadela que também integrou as equipes de busca e resgate do CBMGO e ganhou destaque por sua atuação em operações como as realizadas após o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais.
A mãe morreu durante o parto, deixando três filhotes. Os animais foram encaminhados para um canil voluntário e passaram a ser amamentados por outra cadela. Posteriormente, os três foram atingidos por um surto de giárdia e precisaram receber tratamento veterinário. Fênix foi o único sobrevivente.
A trajetória acabou influenciando a escolha de seu nome, uma referência à ave mitológica associada à ideia de renascimento. Depois de se recuperar, o animal foi encaminhado ao Canil Central do Corpo de Bombeiros de Goiás, onde começou a preparação para atuar nas atividades de busca e salvamento.
Da formação às primeiras ocorrências
Fênix começou a participar de ocorrências ainda jovem. Segundo registros divulgados pelo próprio CBMGO, sua primeira atuação ocorreu aos oito meses de idade, em uma operação de busca por uma pessoa desaparecida. Poucos meses depois, participou de outra ocorrência na qual foi localizado o corpo de uma vítima.
O trabalho dos cães de busca é baseado principalmente na capacidade olfativa dos animais. Eles são treinados para auxiliar os militares na localização de pessoas em diferentes cenários, incluindo áreas de mata, estruturas colapsadas e locais atingidos por desastres. Documento técnico do próprio CBMGO destaca a utilização dos cães justamente pela eficiência do faro na identificação de pessoas vivas ou cadáveres.
No caso de Fênix, a atuação não ficou restrita a Goiás. O cão integrou missões em outras partes do país, incluindo Recife, em Pernambuco, e o Rio Grande do Sul.
Atuação nas enchentes do Rio Grande do Sul
Um dos episódios mais importantes da carreira ocorreu em 2024, durante a crise provocada pelas fortes chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul.
Naquele período, o CBMGO enviou uma força de apoio para auxiliar as equipes que trabalhavam no atendimento à população afetada. Em 3 de maio de 2024, a corporação informou o deslocamento de 21 bombeiros e quatro cães de resgate para o estado, dentro de uma operação coordenada nacionalmente. A equipe incluía especialistas em salvamento em áreas deslizadas e colapsadas, além de mergulhadores e binômios formados por bombeiros e cães de busca.
Fênix esteve entre os animais empregados nas buscas. Durante a operação no Rio Grande do Sul, ele auxiliou os bombeiros na localização de uma vítima em uma área atingida pelas enchentes, segundo registros divulgados após sua morte.
A atuação em cenários de desastre exige que os cães trabalhem em condições diferentes das encontradas em ocorrências convencionais. Escombros, áreas alagadas, terrenos instáveis e grandes extensões afetadas pelas chuvas podem dificultar o trabalho das equipes humanas. Nesses casos, o emprego de cães treinados amplia a capacidade de busca e ajuda os bombeiros a identificar pontos que precisam ser verificados.
Uma carreira construída dentro do CBMGO
Fênix também carregava um vínculo particular com a história do canil da corporação. Seu condutor foi o sargento Wanderley, militar que havia acompanhado Vênus desde quando ela ainda era filhote até sua aposentadoria. A parceria entre os dois continuou com Fênix, que passou a construir sua própria trajetória operacional dentro do CBMGO.
Ao longo dos anos, o cão participou de diversas ocorrências e chegou a superar a própria mãe em número de operações e feitos registrados durante a carreira, de acordo com informações divulgadas pela corporação e reproduzidas após sua morte.
A história de Fênix ganhou relevância justamente pela combinação entre treinamento especializado, capacidade olfativa e integração com os militares responsáveis pelas buscas. Em operações desse tipo, o animal não atua de forma isolada: faz parte de uma equipe coordenada, na qual os sinais identificados durante a busca são avaliados pelos bombeiros e utilizados para direcionar os trabalhos.
Despedida
Ao comunicar a morte de Fênix, o Corpo de Bombeiros de Goiás destacou a participação do animal em operações de busca e salvamento dentro e fora do estado e ressaltou sua dedicação às atividades da corporação. A instituição também classificou Fênix como um parceiro dos bombeiros e símbolo do compromisso com a preservação da vida.
A causa da morte não foi informada publicamente pela corporação.
A despedida encerra a trajetória de um cão que começou a vida diante da perda da própria mãe, sobreviveu a uma grave infecção ainda filhote e, posteriormente, passou a integrar equipes especializadas de busca e salvamento. Durante sua atuação, esteve em ocorrências dentro de Goiás e em missões de apoio em outros estados, incluindo um dos maiores desastres climáticos recentes do país.
Para o Corpo de Bombeiros de Goiás, fica o registro de um integrante de quatro patas que passou anos trabalhando ao lado dos militares em uma das atividades mais delicadas da corporação: encontrar pessoas e auxiliar nas respostas a famílias que aguardavam por notícias.
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