Corpo de empresária é exumado em Goiânia para nova perícia após morte depois de cirurgias plásticas
Procedimento foi realizado após pedido da família e autorização da Justiça; exames complementares buscam esclarecer as circunstâncias do óbito de Andreia Vieira Gaspar

O corpo da empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, foi exumado nesta sexta-feira (28), em Goiânia, para a realização de novos exames periciais. A medida foi autorizada pela Justiça após solicitação apresentada pela família ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) e tem como objetivo reunir novos elementos para esclarecer as circunstâncias da morte da empresária, ocorrida em 12 de agosto, horas depois de ela ser submetida a uma série de procedimentos de cirurgia plástica na capital.
A exumação ocorreu no Cemitério Memorial Parque de Goiânia. Conforme informações divulgadas sobre o procedimento, foram recolhidos materiais e órgãos para análises complementares. Depois da coleta, o corpo foi novamente sepultado.
A nova perícia representa uma etapa adicional na apuração do caso. Os exames deverão ser analisados tecnicamente para verificar informações relacionadas ao quadro apresentado pela paciente e contribuir para o esclarecimento das circunstâncias que antecederam o óbito.
Morte ocorreu horas depois dos procedimentos
Andreia morava na Espanha e viajou para Goiânia para realizar procedimentos estéticos. Segundo informações apresentadas pela família às autoridades e divulgadas por veículos de imprensa, a cirurgia ocorreu no dia 11 de agosto, no Hospital Ankar.
Entre os procedimentos realizados estavam ritidoplastia facial profunda, frontoplastia com redução da testa, mentoplastia óssea, blefaroplastia superior, lipoaspiração e enxertia de gordura no rosto.
Após a cirurgia, familiares relataram que Andreia apresentou alterações em seu estado de saúde. Entre os sintomas mencionados estão inchaço na região da língua, dores e dificuldades respiratórias.
A família afirma que houve demora no atendimento diante do agravamento do quadro e questiona a assistência prestada durante o período pós-operatório. Essas afirmações, no entanto, integram as alegações apresentadas pelos familiares e ainda são objeto de apuração.
Durante a madrugada de 12 de agosto, Andreia sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu posteriormente.
Informações apresentadas anteriormente pela família indicaram que exames realizados antes da cirurgia apontavam alterações que, segundo os familiares, poderiam estar relacionadas a um processo infeccioso. A interpretação e a relevância desses exames para o procedimento cirúrgico estão entre os pontos que precisam ser avaliados tecnicamente no curso da investigação.
O que a nova perícia pode esclarecer
A exumação permite que peritos realizem exames complementares em material biológico que pode fornecer informações adicionais àquelas obtidas anteriormente.
No caso de uma morte ocorrida após procedimento cirúrgico, análises dessa natureza podem auxiliar na identificação de alterações patológicas e na avaliação de possíveis relações entre o quadro clínico apresentado, as intervenções realizadas e a causa do óbito.
Isso não significa, por si só, que a nova perícia irá confirmar eventual falha médica. A conclusão depende dos resultados dos exames e da análise conjunta dos elementos reunidos durante a investigação.
O objetivo é justamente ampliar a base técnica disponível para que as autoridades possam estabelecer, com maior precisão, o que ocorreu.
Ministério Público e Polícia Civil apuram o caso
O Ministério Público de Goiás solicitou a abertura de investigação policial para apurar as circunstâncias da morte. A Polícia Civil também participa da apuração, que deverá reunir documentos, prontuários, exames, depoimentos e outros elementos considerados relevantes para esclarecer o caso.
A investigação deverá analisar a sequência dos acontecimentos antes, durante e depois da cirurgia, além das condições clínicas da paciente e da assistência recebida após o procedimento.
Até que a apuração seja concluída, não é possível afirmar que houve negligência, imprudência ou imperícia médica. Eventuais responsabilidades somente poderão ser estabelecidas pelas autoridades competentes a partir das provas produzidas e das conclusões técnicas.
Hospital e médico contestam acusações
O Hospital Ankar negou que tenha ocorrido negligência no atendimento de Andreia. Em manifestação divulgada anteriormente, a unidade afirmou que as equipes médica e de enfermagem adotaram as medidas necessárias diante do quadro apresentado e declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O médico responsável pelos procedimentos também lamentou a morte da paciente e informou que não comentaria publicamente detalhes clínicos, citando o sigilo médico e a necessidade de que os esclarecimentos sejam apresentados aos órgãos responsáveis pela apuração.
As manifestações das partes envolvidas serão consideradas no curso da investigação, que ainda não foi concluída.
Família busca esclarecimento sobre a morte
A família de Andreia pediu a realização de uma nova análise pericial justamente para esclarecer pontos que considera relevantes sobre a morte. Segundo a representação apresentada aos órgãos competentes, os familiares querem entender se o atendimento recebido antes e depois da cirurgia teve alguma relação com o agravamento do quadro.
A exumação, portanto, acrescenta uma nova etapa técnica ao caso. Os resultados dos exames poderão ser confrontados com a documentação médica, a perícia realizada anteriormente e os demais elementos reunidos pela investigação.
Enquanto os procedimentos periciais e policiais avançam, a causa e as circunstâncias da morte continuam sendo objeto de apuração oficial.
O caso permanece sem conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade individual ou institucional. A definição dependerá das provas e dos laudos produzidos pelos órgãos competentes.
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