Adolescente de 17 anos é apreendido após acidente que matou mulher, em Goiânia
Jovem dirigia caminhonete envolvida na colisão com uma motocicleta; investigação aponta consumo de álcool e avanço de sinal antes da batida

O adolescente de 17 anos que dirigia a caminhonete envolvida no acidente que deixou um casal gravemente ferido em Goiânia foi apreendido nesta segunda-feira. A colisão aconteceu em 16 de agosto, na Avenida Independência, em Campinas, e resultou na morte de Neifa Freitas Faria Alves, de 50 anos. O marido dela, Fábio Alves Barbosa, também de 50 anos, permanece em situação grave.
A medida de apreensão foi solicitada pela Polícia Civil e autorizada pelo Juizado da Infância e Juventude de Goiânia, com prazo inicial de 45 dias. O procedimento ocorre após a morte de Neifa, registrada na quinta-feira.
De acordo com os elementos reunidos até o momento pela investigação, o adolescente teria consumido bebida alcoólica antes de assumir a direção e, durante o trajeto, avançado o sinal vermelho. A caminhonete atingiu a motocicleta em que estavam as vítimas.
Teste apontou presença de álcool
Um dos elementos considerados na investigação é o resultado do teste do bafômetro realizado após a ocorrência. Conforme as informações apuradas pela Polícia Civil, o equipamento registrou 0,52 miligrama de álcool por litro de ar expelido.
O adolescente também prestou depoimento e, segundo a investigação, confirmou que havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir.
A Polícia Civil ouviu ainda testemunhas que estavam na região no momento da colisão, além do passageiro que estava na caminhonete.
Segundo o relato desse passageiro, os dois haviam participado de uma festa em um condomínio de luxo em Goiânia. Ele afirmou que houve consumo de bebidas alcoólicas e que, antes do acidente, o adolescente teria oferecido carona a outras pessoas.
Essas informações integram o conjunto de elementos que estão sendo analisados pela autoridade policial e ainda deverão ser avaliadas no procedimento judicial.
Morte da vítima mudou enquadramento da investigação
Inicialmente, a ocorrência era investigada como ato infracional análogo ao crime de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, já que as duas vítimas haviam sobrevivido à colisão naquele primeiro momento.
A situação jurídica do caso mudou após a confirmação da morte de Neifa. Com o óbito, a Polícia Civil passou a apurar o caso como ato infracional análogo ao homicídio culposo na direção de veículo automotor, conforme a legislação aplicada aos adolescentes.
A mudança não significa antecipação de culpa. A investigação ainda precisa reunir e analisar os elementos relacionados à dinâmica do acidente e às circunstâncias que antecederam a colisão.
Fábio permanece internado
Além da morte de Neifa, o estado de saúde de Fábio também passou a ser acompanhado pelas autoridades. Após permanecer internado em decorrência dos ferimentos provocados pelo acidente, ele entrou em protocolo para avaliação de possível morte encefálica no domingo, conforme as informações apresentadas no caso.
O procedimento médico segue critérios específicos e não deve ser confundido com uma confirmação imediata de óbito. A situação clínica da vítima é um dos elementos que permanecem relevantes para o acompanhamento do caso.
Caminhonete foi emprestada ao pai do adolescente
Outro ponto investigado diz respeito à origem da caminhonete envolvida na colisão.
O veículo pertence a um policial militar aposentado. Em depoimento, ele declarou que havia emprestado a caminhonete ao pai do adolescente para que fosse utilizada em uma feira.
A informação integra a apuração sobre as circunstâncias em que o jovem teve acesso ao veículo e estava conduzindo-o no momento do acidente.
Adolescente será encaminhado ao sistema socioeducativo
Após a apreensão, o adolescente deverá passar por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Na sequência, será encaminhado à Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) e posteriormente a uma unidade do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case), conforme os procedimentos previstos para adolescentes submetidos a medidas dessa natureza.
A apreensão provisória foi determinada pelo período inicial de 45 dias, conforme decisão do Juizado da Infância e Juventude de Goiânia.
Por se tratar de procedimento envolvendo adolescente e que tramita sob segredo de Justiça, informações detalhadas sobre os atos processuais e a estratégia da defesa possuem restrições de divulgação.
A defesa informou que não poderia se manifestar sobre o caso em razão do segredo de Justiça.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias completas da colisão, incluindo a dinâmica do acidente, as condições em que o adolescente assumiu a direção e os demais elementos relacionados às consequências da ocorrência. A eventual responsabilização será definida pelas autoridades competentes dentro do procedimento previsto pela legislação aplicável a adolescentes.
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