Avenida Rio Verde terá bloqueios para retomada das obras do BRT Norte-Sul
Plano de desvios aguarda validação do MPF-GO; intervenção inclui drenagem, trincheira, corredor exclusivo de ônibus e novas estações entre os terminais Isidória e Cruzeiro

A Avenida Rio Verde deverá passar por interdições temporárias durante a execução das obras do trecho 1 do BRT Norte-Sul, entre os terminais Isidória e Cruzeiro. O plano elaborado pela Prefeitura de Goiânia prevê alterações graduais no trânsito para permitir a realização dos serviços de drenagem, pavimentação e construção de uma trincheira no cruzamento da Avenida Rio Verde com a Rua Tapajós e outras vias da região.
O projeto de circulação foi concluído em 5 de agosto e encaminhado ao Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO). A análise está relacionada ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2018, que estabeleceu condições para a continuidade das intervenções do BRT Norte-Sul. Conforme as informações da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), a validação do plano é necessária para a emissão da ordem de serviço específica e o avanço das intervenções que exigem alterações no tráfego.
Ainda não foi divulgada uma data para o início dos bloqueios.
Como deverá funcionar o trânsito durante as obras
O planejamento prevê que as interdições sejam implantadas conforme o avanço das frentes de trabalho, evitando o bloqueio total da avenida onde isso não for indispensável.
Na primeira etapa, os serviços devem se concentrar na drenagem do trecho entre a Avenida Uru e a área prevista para a trincheira. Durante o dia, o trânsito local poderá operar em mão dupla na faixa que permanecer disponível, enquanto a circulação deverá ser liberada integralmente no período noturno, conforme o planejamento apresentado.
A situação será diferente na região da futura trincheira. Como a intervenção envolverá escavações que podem chegar a aproximadamente 9 metros de profundidade, a área de trabalho precisará ser completamente isolada. Nesse ponto, os veículos que tiverem como destino imóveis e estabelecimentos locais poderão acessar a região até os bloqueios e deverão retornar pelo mesmo caminho.
Para quem estiver apenas atravessando a região, o principal desvio previsto parte da Avenida Rio Verde pela Avenida Uru. O trajeto segue pelas avenidas Alexandre de Morais e Senador José Rodrigues de Morais Neto, depois pela Rua Jaçanã e pela Avenida Antônio Fidelis, até a retomada do percurso pela Rio Verde.
No entorno da trincheira, os veículos que utilizarem a Avenida Tapajós deverão recorrer ao desvio pela Avenida São Paulo.
O planejamento também prevê adequações específicas para o transporte coletivo. O documento foi analisado pelos órgãos responsáveis pela mobilidade nos dois municípios envolvidos e pela estrutura metropolitana de transporte.
Obra terá drenagem, trincheira e corredor exclusivo
O trecho 1 do BRT Norte-Sul possui 4,2 quilômetros e fará a ligação entre o Terminal Isidória e o Terminal Cruzeiro. O projeto inclui a implantação do corredor exclusivo para ônibus, pavimentação das canaletas destinadas ao transporte coletivo, recuperação do sistema viário, adequações de acessibilidade, revitalização de calçadas e implantação de novas estações.
Também está prevista a construção de uma trincheira no cruzamento das avenidas Rio Verde, Tapajós, Paraguassu e Senador José Rodrigues de Morais Neto. A intervenção será uma das etapas mais complexas da obra justamente pela necessidade de escavação e pela interferência direta no sistema viário existente.
O contrato contempla ainda a construção, reforma e ampliação do Terminal Cruzeiro e a implantação das estações 2A e 2B.
Segundo a Seinfra, a execução será feita de maneira sequencial. A previsão apresentada pela secretaria é iniciar pela drenagem, avançar para a trincheira e, posteriormente, executar as canaletas do BRT, pavimentação, calçadas e sinalização.
A estimativa inicial de conclusão da obra é janeiro de 2028.
Plano de trânsito foi elaborado por diferentes órgãos
O planejamento dos desvios não foi elaborado isoladamente pela Prefeitura de Goiânia. Segundo a Seinfra, o projeto passou pela Secretaria de Engenharia de Trânsito de Goiânia (SET), pela Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte de Aparecida de Goiânia (SMTA), pela Rede Metropolitana de Transportes Coletivos da Grande Goiânia (RMTC) e pelo RedeMob Consórcio.
A proposta considera diferentes necessidades de circulação, incluindo o transporte público, os veículos que apenas passam pela região e o acesso de moradores e comerciantes aos imóveis diretamente afetados pelas intervenções.
A orientação da Seinfra é que os bloqueios sejam realizados apenas quando necessários para a execução dos serviços e a segurança dos usuários, com sinalização e orientação nos pontos de intervenção.
Obra estava parada desde 2021
A retomada ocorre após um longo período de paralisação. O trecho 1 do BRT Norte-Sul estava sem avanço desde dezembro de 2021, quando apresentava aproximadamente 8% de execução. Naquele momento, o contrato anterior havia sido abandonado pelo Consórcio Corredor Norte-Sul, formado pelas empresas GAE, Sobrado e JM.
A continuidade do projeto passou por discussões envolvendo a Caixa Econômica Federal, e a liberação do processo ocorreu no final de 2024.
A atual contratação foi vencida pela empresa portuguesa Alberto Couto Alves (Grupo ACA), com proposta final de R$ 92.499.051,64, valor correspondente a um desconto de 5% sobre a estimativa inicial. O contrato estabelece prazo de execução de até 18 meses.
Embora as obras tenham sido lançadas pela Prefeitura de Goiânia em julho, a Seinfra considera a implantação do canteiro central na Avenida Rio Verde como parte do início do cronograma. O local utilizado para essa estrutura corresponde à área onde funcionava o Colégio Estadual Parque Amazônia, demolido em 2015 em razão do projeto do BRT.
A previsão informada pela secretaria é de que os serviços de drenagem avancem ainda em agosto.
Trecho da Vila Brasília ficou fora da licitação
O projeto atual não contempla a parte correspondente à Vila Brasília, na divisa entre Goiânia e Aparecida de Goiânia. A área envolve vias como as avenidas São Paulo, Radial, Transbrasiliana e Rio Verde.
Segundo as informações apresentadas no projeto, a região deverá passar por novos estudos técnicos conduzidos pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia. A análise deverá avaliar a solução mais adequada para o cruzamento, incluindo a possibilidade de implantação de um viaduto ou de uma trincheira antes de uma futura licitação.
A separação dessa área da atual contratação busca evitar que uma intervenção ainda dependente de estudos técnicos comprometa o cronograma do trecho que já possui projeto e contrato definidos.
BRT Norte-Sul tem histórico de atrasos
O trecho atualmente em retomada faz parte de um projeto maior de implantação do BRT Norte-Sul na Região Metropolitana de Goiânia.
O trecho 2, entre os terminais Isidória e Recanto do Bosque, começou a ser executado em 2015 e foi concluído somente em setembro de 2024. A experiência anterior ajuda a explicar a preocupação atual com planejamento de tráfego, execução por etapas e articulação entre os municípios.
No caso do trecho 1, a previsão contratual é de até 18 meses para a execução. Dentro desse período, diferentes serviços ocorrerão de forma sobreposta ou sequencial, de acordo com o cronograma técnico.
A estimativa apresentada pela administração municipal é que a conclusão possa ocorrer entre 14 e 15 meses, embora o prazo contratual estabeleça limite de 18 meses.
Intervenções também dependem de medidas ambientais
A execução do BRT Norte-Sul também envolve procedimentos relacionados à vegetação existente ao longo do traçado.
A Prefeitura de Goiânia encaminhou à Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) pedido para a retirada de 291 árvores. Como medida de compensação prevista pela administração municipal, está planejado o transplante de 72 exemplares, entre eles 62 palmeiras, que deverão ser retirados com torrão e replantados em outras vias públicas da capital.
Essas medidas integram o conjunto de providências necessárias para a implantação da infraestrutura prevista no projeto.
Por enquanto, portanto, o principal passo para a alteração efetiva do trânsito no trecho é a validação do plano encaminhado ao MPF-GO. Depois dessa etapa e conforme o avanço das frentes de serviço, os bloqueios deverão ser implantados de maneira progressiva, com o objetivo de permitir a execução da drenagem, da trincheira e das demais estruturas previstas para a conclusão do trecho 1 do BRT Norte-Sul.
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