Inadimplência ainda pesa em Goiás, mas renegociação de dívidas ganha força
Mais de 2,7 milhões de goianos aparecem como inadimplentes, enquanto consumidores aumentam a busca por acordos e colocam a quitação de débitos entre as principais prioridades para o segundo semestre

O número de brasileiros com dívidas em atraso permanece em patamar elevado, mas os últimos meses também mostram um movimento de maior procura pela regularização financeira. Segundo dados divulgados pela Serasa, o país chegou a julho de 2026 com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes e R$ 586,4 bilhões em dívidas. Em Goiás, são mais de 2,7 milhões de consumidores nessa situação, com um estoque de 10,5 milhões de dívidas que somam R$ 19,7 bilhões.
O cenário revela dois movimentos simultâneos: a inadimplência continua afetando uma parcela expressiva da população, mas o ritmo de crescimento perdeu força e a procura por renegociação aumentou.
No estado, o valor médio devido por pessoa inadimplente é de R$ 7.300,54. Bancos e cartões respondem por 27,86% das dívidas registradas, segundo o levantamento.
Consumidor tenta reorganizar as contas
A dificuldade para equilibrar o orçamento também aparece em uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. Metade dos entrevistados, ou 50%, afirmou ter gastado mais do que pretendia durante os primeiros seis meses de 2026.
Ao mesmo tempo, 54% disseram que costumam revisar o planejamento financeiro no meio do ano. A prática permite avaliar o que foi previsto no início do ano e redefinir prioridades diante da situação real das contas.
Entre os objetivos para o segundo semestre, quitar dívidas aparece como uma das principais metas. Quase metade dos entrevistados, 49%, afirmou que pretende eliminar débitos até o fim de 2026. Outros 32% disseram que querem limpar o nome, enquanto 29% planejam formar uma reserva financeira para situações de emergência.
A intenção de economizar também aumentou. Segundo a pesquisa, o percentual de consumidores que pretendem guardar mais dinheiro passou de 64% no levantamento anterior para 69% neste ano. Já 33% afirmaram que pretendem investir com maior frequência.
O levantamento aponta ainda que 74% dos entrevistados estão otimistas em relação à própria situação financeira até o final do ano.
Renegociações avançam
A busca por acordos aparece como um dos principais sinais de mudança no comportamento financeiro dos consumidores.
Entre maio e julho de 2026, mais de 14 milhões de acordos foram fechados por meio do Serasa Limpa Nome, número 41% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Mais de 7 milhões de consumidores renegociaram dívidas na plataforma durante o intervalo.
A própria Serasa vem apontando uma desaceleração no crescimento da inadimplência ao longo de 2026. Em maio, por exemplo, o levantamento registrou o menor avanço mensal do número de negativados no ano até então. Em junho, entretanto, o indicador voltou a subir, com 83,7 milhões de consumidores negativados, segundo a empresa.
Os números mostram que a desaceleração não significa desaparecimento do problema. O estoque de dívidas continua elevado e ainda representa um obstáculo para consumidores que dependem de crédito para financiar compras, contratar serviços ou reorganizar o orçamento.
Goiás acompanha desaceleração
Em Goiás, os dados apresentados pela Serasa indicam uma mudança significativa no ritmo de crescimento da inadimplência.
Entre maio e julho de 2025, o crescimento médio mensal no estado havia sido de 1,35%. No mesmo intervalo de 2026, a média caiu para 0,26%.
A tendência acompanha o comportamento observado nacionalmente. Conforme os dados divulgados pela empresa, o crescimento médio mensal da inadimplência brasileira caiu de 0,7% entre maio e julho de 2025 para 0,2% no mesmo período de 2026.
A combinação entre menor ritmo de crescimento e maior volume de negociações é relevante porque a regularização de dívidas pode reduzir a pressão provocada por juros e facilitar a recuperação do acesso ao crédito.
Dívidas exigem planejamento
A renegociação, entretanto, não deve ser confundida com simples ampliação do prazo de pagamento. Para que um acordo seja sustentável, o consumidor precisa avaliar se a parcela cabe efetivamente no orçamento e quais serão as condições financeiras estabelecidas no contrato.
A orientação da Serasa é que a regularização das pendências seja acompanhada de uma revisão das despesas e das prioridades financeiras. A empresa destaca que o pagamento dos débitos pode reduzir o peso dos juros e abrir espaço para objetivos como a formação de uma reserva de emergência.
A necessidade de reorganização é especialmente relevante diante do volume de consumidores negativados. Dados anteriores do Mapa da Inadimplência mostram que o país já vinha registrando níveis historicamente elevados de restrição de crédito. Em junho de 2026, por exemplo, a Serasa apontou 83,7 milhões de negativados, o maior número de toda a série histórica naquele momento.
Segundo semestre vira período de ajuste
O comportamento identificado pela pesquisa indica que parte dos consumidores pretende utilizar os próximos meses para corrigir desequilíbrios acumulados no primeiro semestre.
A prioridade declarada por 55% dos entrevistados é manter as contas em dia, seis pontos percentuais acima do resultado registrado no levantamento anterior. O resultado reforça a importância atribuída ao controle do orçamento doméstico.
Para quem possui dívidas em atraso, a organização financeira passa primeiro pela identificação dos débitos, avaliação das condições disponíveis para negociação e definição de uma parcela compatível com a renda. Só depois disso é possível avançar para outras metas, como poupar e investir.
Em Goiás, onde mais de 2,7 milhões de pessoas aparecem no levantamento como inadimplentes e o volume de débitos chega a R$ 19,7 bilhões, a combinação entre renegociação e planejamento financeiro representa um dos principais desafios para os consumidores no restante de 2026.
Os dados, portanto, apontam para um cenário ainda preocupante, mas com sinais de reação: a inadimplência permanece elevada, enquanto cresce a disposição dos brasileiros para renegociar dívidas e recuperar o equilíbrio financeiro.
Metodologia
A pesquisa sobre comportamento financeiro foi realizada pelo Instituto Opinion Box em parceria com a Serasa entre 26 de junho e 5 de julho de 2026. Foram entrevistadas 1.328 pessoas pela internet em todo o Brasil, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais.
Os números de inadimplência citados são provenientes do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, levantamento mensal elaborado a partir da base de consumidores da empresa.
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