Motorista de aplicativo é presa suspeita de cobrar R$ 239 em corrida de R$ 13 de passageiro com deficiência visual, em Goiânia
Investigação da Polícia Civil aponta que vítima foi induzida a utilizar máquina de cartão da motorista após ser informada de que o pagamento pelo aplicativo não havia sido concluído

Um homem de 53 anos, com deficiência visual, procurou a Polícia Civil de Goiás (PCGO) após identificar uma cobrança de R$ 239 em seu cartão de crédito por uma corrida de aplicativo que custava apenas R$ 13,70. O caso ocorreu em Goiânia e levou à prisão em flagrante de uma motorista de aplicativo, de 49 anos, suspeita de aplicar o golpe. Posteriormente, ela foi colocada em liberdade por decisão da Justiça durante audiência de custódia.
De acordo com as investigações, a vítima solicitou uma corrida entre o Setor Campinas e o Setor Sudoeste utilizando um aplicativo de transporte com pagamento previamente cadastrado no cartão de crédito. Ao final do trajeto, entretanto, a motorista informou que a transação não teria sido concluída pelo sistema e que seria necessário realizar um novo pagamento.
Segundo o depoimento prestado à Polícia Civil, o passageiro inicialmente ofereceu quitar a viagem por Pix. A proposta, porém, foi recusada pela motorista, que alegou que a chave cadastrada era um endereço de e-mail, o que dificultaria a operação para uma pessoa com deficiência visual. Em seguida, ela sugeriu que o pagamento fosse feito diretamente em uma máquina de cartão.
Conforme a investigação, sem condições de conferir visualmente as informações exibidas no equipamento, a vítima inseriu o cartão e concluiu a operação acreditando estar pagando apenas o valor correspondente à corrida.
O prejuízo só foi descoberto após o homem receber uma notificação da instituição financeira informando uma cobrança de R$ 239. Diante da divergência, ele solicitou ajuda de um vizinho, que confirmou o lançamento indevido na fatura e o auxiliou a registrar um boletim de ocorrência.
Além da comunicação à Polícia Civil, o caso foi informado ao banco responsável pelo cartão e à plataforma de transporte utilizada na corrida, para que fossem adotadas as medidas administrativas cabíveis.
Segundo a Polícia Civil, a motorista foi localizada e presa no mesmo dia da denúncia. A investigação apura a suspeita de fraude na cobrança e busca esclarecer todas as circunstâncias do caso, incluindo a eventual existência de outras vítimas ou ocorrências semelhantes.
Apesar da prisão em flagrante, a investigada foi colocada em liberdade após audiência de custódia. A decisão não representa o encerramento do caso nem afasta a continuidade das investigações. O procedimento seguirá em andamento para a produção de novas provas e posterior análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Atenção redobrada em pagamentos presenciais
Casos envolvendo cobranças indevidas por meio de máquinas de cartão têm levado autoridades a reforçar a orientação para que consumidores confirmem sempre o valor exibido no visor antes de concluir qualquer pagamento. Quando houver dificuldade para realizar essa conferência, como ocorre com pessoas com deficiência visual, a recomendação é solicitar auxílio de alguém de confiança ou optar por meios de pagamento que permitam a confirmação do valor por recursos de acessibilidade.
Em situações de suspeita de fraude, especialistas orientam que o consumidor comunique imediatamente a instituição financeira, registre boletim de ocorrência e informe a empresa responsável pelo serviço utilizado, medidas que podem contribuir para a apuração dos fatos e eventual contestação da cobrança.
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