Operação desarticula plano de facção para atacar policiais penais e resgatar presos, em Goiás
Investigação da Polícia Civil identificou atuação de suspeitos ligados ao Comando Vermelho, que, mesmo custodiados, mantinham influência sobre atividades criminosas, intimidavam detentos e planejavam ações contra agentes de segurança e unidades prisionais.
Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás identificou um suposto plano arquitetado por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) para executar atentados contra policiais penais e seus familiares, além de organizar o resgate de detentos custodiados na Unidade Prisional de Uruana. A descoberta levou ao desencadeamento de uma operação policial com cumprimento de mandados de busca e apreensão em Uruana, Goiânia, Anápolis e Jaraguá, em uma ação destinada a interromper a articulação criminosa antes da execução dos ataques.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após a direção da unidade prisional comunicar às autoridades informações consideradas consistentes sobre a preparação das ações criminosas. A partir desse alerta, equipes especializadas iniciaram um trabalho de inteligência, análise de dados, coleta de depoimentos e monitoramento que permitiu mapear a estrutura do grupo investigado e identificar seus possíveis integrantes.
As apurações apontam que os investigados, embora estivessem presos, continuavam exercendo influência sobre a rotina do estabelecimento penal. Conforme a investigação, eles intimidavam outros custodiados, impunham regras internas, promoviam ameaças e utilizavam mecanismos de comunicação para manter contato com pessoas em liberdade, responsáveis por dar continuidade às determinações da organização criminosa fora do presídio.
Durante o avanço das diligências, os investigadores também reuniram indícios de que imóveis ligados a familiares e pessoas próximas aos suspeitos estariam sendo utilizados para esconder armas de fogo, munições, drogas, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos empregados na comunicação entre integrantes da facção. As buscas resultaram na apreensão de armamentos, munições, aparelhos celulares, dispositivos de armazenamento de dados, documentos e valores, materiais que serão submetidos à perícia e incorporados ao inquérito policial.
Para a Polícia Civil, a operação teve caráter preventivo e estratégico, com o objetivo de neutralizar uma possível ofensiva contra agentes públicos responsáveis pela custódia de presos, preservar a segurança das unidades prisionais e impedir o fortalecimento da atuação da organização criminosa no Estado.
A corporação ressalta que as investigações permanecem em andamento e que o material apreendido poderá revelar novos participantes, financiadores e colaboradores do esquema criminoso. Os elementos coletados também deverão auxiliar na identificação da cadeia de comando da facção, na responsabilização dos envolvidos e na adoção de novas medidas judiciais, caso surjam novas evidências durante a continuidade das investigações.
O caso reforça a atuação integrada das forças de segurança no enfrentamento às organizações criminosas que tentam manter influência a partir do sistema prisional, utilizando estruturas externas para coordenar crimes, ameaçar agentes públicos e ampliar sua capacidade operacional.


