Operação Boleto Fantasma II mira grupo suspeito de fraudes milionárias e cumpre 18 mandados em Goiás
Ação coordenada pela Polícia Civil do Amapá, com apoio das forças de segurança de Goiás, Santa Catarina e do Ministério da Justiça, investiga organização criminosa especializada em golpes com sites falsos que simulavam canais oficiais de concessionária de energia.

Uma força-tarefa interestadual deflagrou, nesta quinta-feira (2), a segunda fase da Operação Boleto Fantasma II para desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes eletrônicos por meio de páginas falsas na internet. Goiás concentrou a maior parte da ofensiva, com o cumprimento de 18 dos 22 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, além de nove mandados de prisão preventiva contra investigados apontados como integrantes do esquema.
A operação é coordenada pela Polícia Civil do Amapá (PCAP), por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DR-CCIBER), com apoio da Polícia Civil de Goiás, da Polícia Civil de Santa Catarina e do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo as investigações, a organização criminosa desenvolvia e administrava sites fraudulentos que reproduziam visualmente os canais oficiais da concessionária de energia elétrica do Amapá. Para ampliar o alcance do golpe, os criminosos patrocinavam anúncios em plataformas de busca, posicionando as páginas falsas entre os primeiros resultados exibidos aos consumidores que buscavam emitir a segunda via da conta de energia.
Ao acessar esses endereços eletrônicos, as vítimas informavam dados pessoais e realizavam pagamentos via PIX, boleto bancário ou QR Code, acreditando estar quitando suas faturas. No entanto, os valores eram direcionados para contas bancárias controladas pela organização criminosa e posteriormente pulverizados por meio de empresas de fachada, contas de terceiros, plataformas de pagamento e ativos digitais, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento financeiro.
As apurações indicam que o grupo possuía uma estrutura organizada, composta por um núcleo tecnológico, responsável pela criação, hospedagem e manutenção dos sites fraudulentos, e um núcleo financeiro encarregado da movimentação, ocultação e lavagem dos recursos obtidos com as fraudes.
Além das medidas de busca e das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio e o sequestro de bens, contas bancárias, ativos financeiros, carteiras digitais e criptoativos pertencentes a 16 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas. O objetivo é interromper o fluxo financeiro da organização, preservar recursos para eventual ressarcimento das vítimas e impedir a continuidade das atividades criminosas.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação já identificou centenas de vítimas em diferentes estados brasileiros, com prejuízo superior a R$ 1 milhão. A primeira fase da Operação Boleto Fantasma já havia resultado na prisão de um dos principais articuladores do esquema, permitindo o avanço das investigações que culminaram na nova ofensiva.
Os investigados poderão responder por crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações continuam para identificar outros integrantes, localizar novos ativos financeiros e dimensionar a extensão nacional da fraude.
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