Mulher é presa em Goiás suspeita de inventar câncer da própria filha para arrecadar dinheiro
Investigação aponta que suspeita emocionava vítimas com falsa história sobre tratamento médico de criança de três anos; cerca de R$ 17 mil foram apreendidos durante a operação
Uma mulher de 26 anos foi presa pela Polícia Civil de Goiás suspeita de aplicar golpes utilizando uma falsa campanha de arrecadação em nome da própria filha, de apenas três anos. Segundo as investigações, ela afirmava que a criança enfrentava um tratamento contra câncer e precisava de recursos financeiros para realizar exames médicos urgentes, história que sensibilizou dezenas de pessoas em diferentes municípios goianos.
A prisão ocorreu após uma série de denúncias registradas em Catalão, no Sudeste do Estado. De acordo com a Polícia Civil, a suspeita utilizava uma narrativa cuidadosamente elaborada para despertar comoção e obter transferências bancárias, doações em dinheiro e participação em rifas supostamente destinadas ao custeio do tratamento da criança.
As apurações revelaram que a mulher frequentava academias, especialmente estabelecimentos voltados à prática de Crossfit, onde abordava alunos, treinadores e funcionários. Durante as conversas, relatava que a filha estaria em tratamento oncológico e necessitaria de exames especializados para verificar uma possível evolução da doença. Para reforçar a credibilidade do relato, apresentava detalhes sobre procedimentos médicos e disponibilizava uma chave Pix para recebimento das contribuições.
A investigação, no entanto, concluiu que a versão apresentada era falsa. Segundo a Polícia Civil, não foram encontrados elementos que comprovassem a existência da doença alegada. Os investigadores também identificaram indícios de que o mesmo método já havia sido utilizado anteriormente em outras cidades goianas, ampliando a suspeita de um esquema de arrecadação fraudulenta praticado de forma recorrente.
O caso ganhou dimensão após diversas vítimas procurarem as autoridades para relatar abordagens semelhantes. Somente em Catalão, registros apontam que a suspeita esteve em academias localizadas em diferentes regiões da cidade no mesmo dia, ampliando rapidamente o alcance da campanha fraudulenta.
Com o avanço das investigações, equipes das polícias Civil e Militar localizaram a mulher na GO-330, nas proximidades de Urutaí, quando ela deixava a região. Durante a abordagem, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 17 mil em dinheiro e outros valores que agora serão analisados para verificar a origem dos recursos e o possível vínculo com as doações recebidas.
A suspeita foi conduzida para a Delegacia de Polícia Civil de Catalão, onde foi autuada pelo crime de estelionato. Conforme prevê a legislação brasileira, o delito ocorre quando alguém obtém vantagem ilícita induzindo outra pessoa ao erro mediante fraude, artifício ou qualquer outro meio enganoso.
As investigações continuam para identificar a extensão do esquema, o número de vítimas e as cidades onde a mulher pode ter atuado. A Polícia Civil também trabalha para rastrear movimentações financeiras e localizar possíveis pessoas que realizaram transferências acreditando contribuir para o tratamento da criança.
O caso chama atenção para o uso indevido de causas sensíveis envolvendo doenças graves para obtenção de vantagens financeiras. Autoridades alertam que campanhas de arrecadação devem ser acompanhadas de documentação médica e informações verificáveis, especialmente quando divulgadas em ambientes públicos ou por meio de redes sociais.
Por envolver investigação em andamento, a identidade da suspeita não foi divulgada oficialmente pelas autoridades.
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