Mulher é presa sob suspeita de maus-tratos e abandono intelectual contra filho com TEA, em Catalão
Polícia Civil aponta sinais de desnutrição, isolamento prolongado e ausência de acompanhamento terapêutico; criança foi acolhida pelo Conselho Tutelar

Uma mulher de 24 anos foi presa em flagrante em Catalão, no sudeste de Goiás, sob suspeita de submeter o próprio filho, de 8 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a maus-tratos e abandono intelectual. A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Estado de Goiás, que apura negligência nos cuidados básicos, restrição de convívio social e ausência de escolarização.
A prisão ocorreu em residência localizada no bairro Loteamento Jardim Paraíso, após diligências realizadas por equipe da 2ª Delegacia Distrital. No imóvel, os agentes constataram que a criança apresentava sinais clínicos compatíveis com desnutrição e palidez, além de condições precárias de higiene. Segundo o relato policial, o menino permanecia grande parte do tempo isolado em um quarto, sem acesso regular a atividades externas ou interação com outras crianças.
Indícios de negligência e descumprimento de deveres legais
De acordo com a autoridade policial responsável pelo caso, há indícios de que a criança recebia apenas uma refeição diária e não estava inserida em rotina mínima de cuidados compatível com suas necessidades específicas. Também foi identificado que o menino não frequentava a escola e jamais teria sido matriculado na rede de ensino, circunstância que pode configurar abandono intelectual, previsto no Código Penal.
A investigação aponta ainda a inexistência de acompanhamento médico, terapêutico ou psicológico, considerado fundamental para o desenvolvimento de crianças com TEA. O acesso a intervenções multiprofissionais é recomendado por diretrizes do Ministério da Saúde e por protocolos amplamente adotados na área da neuropediatria e da educação inclusiva.
Outro ponto apurado refere-se ao benefício previdenciário recebido pela criança em razão da condição de saúde. Conforme a Polícia Civil, há suspeita de que os valores não estariam sendo integralmente destinados às necessidades básicas do menor, fato que também integra a linha investigativa.
Relatos familiares e providências
A avó materna relatou à polícia episódios recorrentes de agressões físicas e verbais, além de negligência afetiva. As declarações foram formalizadas e integram o inquérito policial.
A identidade da investigada não foi divulgada oficialmente, e até o momento não há manifestação pública da defesa. Após a lavratura do auto de prisão em flagrante, a mulher foi encaminhada ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça.
A criança foi acolhida pelo Conselho Tutelar, que acompanha o caso e deve articular, junto à rede de proteção social, medidas de assistência médica, psicológica e educacional.
O inquérito segue em andamento para apuração detalhada dos fatos e eventual responsabilização criminal, observando-se o devido processo legal.
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