Operação apura esquema de R$ 190 milhões em sonegação no setor de carnes em Goiás
Operação apura esquema de R$ 190 milhões em sonegação no setor de carnes em Goiás

Uma força-tarefa integrada pela Secretaria da Economia de Goiás e pela Polícia Civil deflagrou operação para investigar um grupo empresarial suspeito de estruturar um esquema de sonegação fiscal que pode ter causado prejuízo estimado em R$ 190 milhões aos cofres públicos estaduais. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Nova Veneza.
A investigação é conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT), com apoio da Inteligência Fiscal do Fisco estadual. Segundo os órgãos envolvidos, as apurações tiveram origem em análises técnicas internas da Secretaria da Economia, que identificaram movimentações consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada por empresas do setor de frigoríficos e comércio atacadista de carnes.
Entre os indícios apontados estão a aquisição de aproximadamente 80 mil cabeças de gado para abate em um único exercício fiscal, volume que, segundo auditores, não encontra correspondência nas declarações tributárias apresentadas. Também foram identificadas inconsistências na escrituração fiscal digital e possíveis omissões no recolhimento de ICMS e de valores destinados ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra).
De acordo com a Polícia Civil, o grupo é suspeito de utilizar interpostas pessoas — os chamados “laranjas” — para formalizar empresas que funcionariam como estruturas de fachada, com o objetivo de fragmentar operações, reduzir artificialmente a carga tributária e dificultar a responsabilização dos reais beneficiários. Além da sonegação fiscal, os investigados podem responder por associação criminosa e lavagem de capitais, a depender do aprofundamento das provas.
As autoridades também apuram se a prática permitiu a comercialização de carnes a preços abaixo dos praticados pelo mercado regular, o que configuraria concorrência desleal e impacto direto na cadeia produtiva. O material apreendido — documentos fiscais, dispositivos eletrônicos e registros contábeis — será submetido à perícia para reconstrução do fluxo financeiro e identificação dos efetivos controladores das empresas.
Os nomes dos investigados não foram divulgados, e até o momento não houve manifestação formal de defesa. O valor inicialmente estimado de R$ 190 milhões poderá ser revisto após a consolidação dos levantamentos fiscais e contábeis.
A Secretaria da Economia informou que a operação integra uma estratégia permanente de combate à evasão fiscal estruturada, com foco em setores de alta movimentação financeira e relevância econômica para o Estado.
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