Calor, fantasia e pouca água: por que o Carnaval eleva o risco de infecções urinárias e íntimas
Especialistas alertam que desidratação, roupas apertadas e alterações na rotina favorecem a proliferação de bactérias e fungos durante o período de festas

O Carnaval reúne fatores que, do ponto de vista médico, criam um ambiente propício ao aumento de infecções urinárias e íntimas, especialmente entre mulheres. O calor intenso, o uso prolongado de fantasias justas, o suor excessivo e a ingestão insuficiente de água formam uma combinação que compromete os mecanismos naturais de defesa do organismo. Somam-se a isso as mudanças na rotina de higiene, longas horas fora de casa e menor atenção aos sinais iniciais de desconforto.
Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) indicam que cerca de metade das mulheres terá ao menos um episódio de infecção urinária ao longo da vida, e aproximadamente 30% enfrentam recorrência. Já estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 75% das mulheres apresentarão candidíase vaginal pelo menos uma vez, sendo que quase metade terá novos episódios. Situações de calor e umidade prolongados são reconhecidas como fatores que favorecem esses quadros.
Segundo o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, diretor médico da Carnot Laboratórios, o período carnavalesco concentra múltiplos riscos simultâneos. A desidratação reduz o volume urinário, o que dificulta a eliminação natural de bactérias pela urina, mecanismo essencial de proteção do trato urinário. Paralelamente, roupas muito justas ou confeccionadas com tecidos sintéticos criam um microambiente quente e úmido, ideal para a multiplicação de fungos e bactérias na região íntima.
Os sintomas merecem atenção imediata. Ardor ao urinar, aumento da frequência urinária, corrimento, coceira, dor pélvica e sensação persistente de desconforto não devem ser tratados como incômodos passageiros. A automedicação, prática comum em períodos festivos, pode mascarar sinais importantes, atrasar o diagnóstico correto e favorecer a recorrência ou agravamento das infecções.
Outro ponto crítico é a flexibilização dos cuidados básicos. Permanecer muitas horas com a mesma roupa, manter peças úmidas de suor ou de praia e negligenciar o descanso e a hidratação são comportamentos frequentes durante o Carnaval e aumentam significativamente o risco de infecções urinárias e ginecológicas. Do ponto de vista clínico, trata-se de um conjunto de hábitos que rompe o equilíbrio da flora íntima e reduz a resistência local contra micro-organismos.
A prevenção, embora simples, exige constância. Manter ingestão adequada de água ao longo do dia, priorizar roupas leves e de algodão, evitar permanecer com peças molhadas, não reter a urina por longos períodos e adotar higiene íntima adequada são medidas eficazes para reduzir o risco de infecções. Em caso de sintomas persistentes, a orientação médica é indispensável para diagnóstico preciso e tratamento seguro.
Especialistas reforçam que o Carnaval pode e deve ser um período de lazer, mas sem que a saúde seja colocada em segundo plano. A atenção aos sinais do corpo e a adoção de cuidados básicos são determinantes para atravessar a folia sem complicações clínicas que podem se estender muito além dos dias de festa.
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