Deslizamento no Jardim Curitiba deixa casas destruídas, famílias desalojadas e expõe disputa técnica entre órgãos públicos
Colapso estrutural em rua da região noroeste de Goiânia atinge residências, interdita imóveis vizinhos e mobiliza Defesa Civil, Prefeitura e Saneago
Um desabamento de grandes proporções atingiu imóveis residenciais no Jardim Curitiba 4, na região noroeste de Goiânia, provocando a destruição total de duas casas, a interdição preventiva de outras duas e deixando famílias inteiramente sem moradia. O episódio expôs não apenas a vulnerabilidade estrutural da área, mas também divergências técnicas entre órgãos públicos sobre a origem do processo erosivo que culminou no colapso das edificações.
As residências destruídas estavam localizadas na Rua do Retiro, posicionadas uma em frente à outra, e cederam praticamente de forma simultânea. No local, equipes da Defesa Civil Municipal constataram instabilidade do solo e risco iminente de novos deslizamentos, o que motivou o isolamento de imóveis vizinhos e o monitoramento permanente da área. O cenário encontrado após o desabamento era de completa perda estrutural, com escombros espalhados e danos materiais severos, inclusive a veículos.
Entre os atingidos está o motorista de aplicativo Iago Barbosa do Nascimento, que morava no imóvel com a esposa, grávida de sete meses, e a filha do casal. Além da casa, o veículo utilizado para o trabalho também foi avariado durante o deslizamento. A família perdeu praticamente todos os bens. Em outra residência atingida, viviam uma mulher e seu filho, igualmente forçados a deixar o local sem possibilidade de retorno imediato.
O impacto do colapso foi percebido de forma abrupta por moradores da rua. Relatos apontam para ruídos sucessivos seguidos por um estrondo intenso, momento em que as estruturas começaram a ceder. A evacuação ocorreu às pressas, com auxílio de vizinhos, o que evitou vítimas fatais. Técnicos da Defesa Civil consideraram determinante o fato de os moradores estarem fora dos imóveis no momento do desabamento.
Além das perdas materiais, o episódio impôs uma ruptura imediata na rotina das famílias, que agora dependem exclusivamente de apoio do poder público e de redes familiares. A assistência social municipal esteve no local e ofereceu acolhimento emergencial em abrigo institucional, opção recusada por parte dos atingidos, que preferiram buscar abrigo temporário com parentes. A Prefeitura informou que negocia com o governo estadual a concessão do benefício Aluguel Social para garantir moradia provisória às famílias desalojadas.
No campo técnico, o deslizamento abriu uma controvérsia entre órgãos responsáveis pela infraestrutura urbana. Moradores atribuem o colapso à possível ruptura de um cano da rede de abastecimento de água. A Saneago, por sua vez, negou qualquer responsabilidade direta, sustentando que sua tubulação foi danificada após o deslocamento de terra, provocado pelas chuvas intensas, e reforçou que a drenagem urbana é atribuição do município.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) também afastou relação entre o deslizamento e a rede de drenagem, afirmando que os dispositivos existentes na área permanecem intactos. Segundo a pasta, o volume pluviométrico elevado registrado nos últimos dias foi suficiente para desencadear um processo erosivo no solo, comprometendo a estabilidade das edificações. A secretaria informou ainda que, após a atuação da Defesa Civil, será realizada a recuperação e recomposição da área afetada.
Enquanto os laudos técnicos definitivos não são concluídos, as famílias atingidas enfrentam a necessidade imediata de reconstrução de suas vidas, sem previsão de retorno aos imóveis. O caso reforça o alerta para a ocupação de áreas vulneráveis, a manutenção preventiva da infraestrutura urbana e a necessidade de respostas rápidas e coordenadas diante de eventos extremos associados ao regime de chuvas em Goiânia.
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