Governo de Goiás executa 83,7% das emendas impositivas em 2025 e injeta R$ 445 milhões nas bases parlamentares
Após ritmo lento no primeiro semestre, Executivo acelera pagamentos no fim do ano, atinge quase a totalidade dos empenhos e concentra recursos em saúde, educação e infraestrutura

O Governo de Goiás encerrou o exercício de 2025 com a execução de 83,7% das emendas impositivas indicadas pelos deputados estaduais, consolidando o pagamento de R$ 445 milhões do total autorizado na Lei Orçamentária Anual (LOA). O índice representa uma inflexão relevante em relação ao primeiro semestre, quando a liberação dos recursos avançava de forma lenta e gerava insatisfação generalizada entre parlamentares da base e da oposição.
Do ponto de vista orçamentário, o desempenho final mostra que 96,5% do montante reservado às emendas foi efetivamente empenhado — cerca de R$ 513,1 milhões de um total de R$ 531,6 milhões. A diferença entre empenho e pagamento, segundo técnicos da área fiscal, decorre sobretudo de convênios e projetos com execução financeira projetada para 2026, especialmente aqueles vinculados a obras, aquisições e repasses que exigem cumprimento de etapas técnicas e administrativas.
Pela regra constitucional que destina 1,2% da Receita Corrente Líquida às emendas impositivas, cada deputado pôde indicar até R$ 12,965 milhões. Sete parlamentares alcançaram o teto de empenhos, enquanto apenas um atingiu o limite máximo em valores efetivamente pagos, evidenciando a assimetria entre a autorização orçamentária e a liberação financeira ao longo do exercício.
A distribuição setorial dos recursos reforça o caráter estrutural das emendas em Goiás. A área da saúde concentrou a maior fatia, com R$ 251,7 milhões pagos, seguida pela educação, que recebeu R$ 122,39 milhões. Outros R$ 139,06 milhões foram destinados a diferentes frentes da administração estadual, com destaque para ações de infraestrutura e convênios sob a coordenação da Secretaria de Relações Institucionais (Serint), responsável pela articulação com os municípios.
Nos bastidores da Assembleia Legislativa, o atraso registrado até meados do ano foi atribuído a fatores distintos. Parlamentares da oposição apontaram interferência política e excesso de centralização decisória, enquanto aliados do Palácio das Esmeraldas destacaram a adoção de novos critérios técnicos e de controle, além do próprio calendário orçamentário. A aprovação definitiva da LOA ocorreu apenas no fim de janeiro, e o anexo com as emendas só foi publicado em março, o que, na avaliação do Executivo, comprometeu o início da execução financeira.
O secretário estadual de Relações Institucionais, Armando Vergílio, sustenta que o desempenho do segundo semestre compensou a lentidão inicial e classifica o resultado como positivo. Segundo ele, a expectativa é de que, em 2026, os pagamentos ocorram de forma ainda mais concentrada no primeiro semestre, em razão das restrições legais impostas pelo calendário eleitoral, que limita novos convênios nos meses que antecedem o pleito de outubro.
Apesar do avanço nos números globais, a política de transparência segue como ponto sensível. O portal EmendasGO, lançado para acompanhar a execução das indicações parlamentares, apresenta atualização mensal e não permite acesso público ao detalhamento individual de cada emenda, informação restrita a deputados e servidores. Especialistas em controle externo avaliam que a ampliação da transparência é fundamental para qualificar o debate público sobre a efetividade e o impacto social desses recursos.
Ao final, o balanço de 2025 revela um cenário de recomposição institucional entre Executivo e Legislativo, com execução elevada das emendas, mas também expõe os desafios persistentes de previsibilidade, comunicação e transparência na gestão de mais de meio bilhão de reais destinados às bases parlamentares.
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