Mabel busca recompor base e destravar votações ao discutir Orçamento de 2026 com vereadores
Após retorno de viagem internacional, prefeito de Goiânia reúne-se com a Mesa Diretora da Câmara para alinhar a tramitação da LOA e da LDO e discutir ampliação das emendas impositivas, em meio a tensões políticas e questionamentos sobre o valor da receita prevista.

O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) retomou as atividades administrativas nesta segunda-feira (10) com uma agenda política estratégica: reunir-se com a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia para tentar destravar a pauta de projetos do Executivo e recompor o diálogo com os vereadores. O encontro marca o retorno do gestor após 14 dias em viagem à Espanha e à Argentina, período em que as votações de interesse do Paço ficaram suspensas.
Entre os principais temas discutidos estão a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 — ainda pendente de votação — e a Lei Orçamentária Anual (LOA), que estima receita e despesa de R$ 10,464 bilhões para o próximo exercício. A reunião contou com a presença do presidente da Câmara, Romário Policarpo (PRD); do líder do governo, Wellington Bessa (DC); e do 1º secretário, Henrique Alves (MDB).
Disputa sobre o valor das emendas e da receita
O foco da conversa girou em torno das emendas impositivas, mecanismo que permite aos vereadores destinar recursos diretamente para ações em suas bases eleitorais. O valor global previsto na LOA 2026 é de R$ 177,5 milhões, o que representa cerca de R$ 4,7 milhões por parlamentar — abaixo dos R$ 5 milhões garantidos em 2025.
O ajuste se deve ao aumento do número de vereadores, que passou de 35 para 37 após a revisão do coeficiente populacional. Mabel, segundo relatos, sinalizou disposição para reavaliar os valores junto à Secretaria Municipal de Finanças, comandada por Valdivino Oliveira, embora não tenha feito promessa formal.
Nos bastidores, vereadores consideraram o aceno do prefeito um gesto político importante para pacificar a base, que nos últimos meses se mostrou dividida diante de temas sensíveis, como a Taxa de Limpeza Pública (TLP) e a CEI do Limpa Gyn, criada com apoio de parte da base governista.
Questionamentos sobre o Orçamento
A receita prevista para 2026 também foi alvo de críticas do presidente Romário Policarpo, que afirmou publicamente haver “erro” na estimativa. O parlamentar defende que o texto encaminhado pelo Paço subdimensiona a arrecadação municipal e reduz artificialmente o teto para emendas.
A Secretaria de Finanças, por sua vez, sustenta que os números são realistas e compatíveis com a execução orçamentária dos últimos anos, apontando que a LOA de 2025 — elaborada ainda na gestão de Rogério Cruz (Solidariedade) — teria sido superestimada.
As emendas impositivas correspondem a 2% da receita corrente líquida (RCL), calculada em R$ 8,88 bilhões para o próximo ano. Segundo vereadores, o subdimensionamento impacta diretamente as emendas e a execução de projetos estratégicos em bairros da capital.
Relação com a Câmara e base de apoio
A relação entre Executivo e Legislativo, embora estabilizada nos últimos meses, ainda enfrenta ruídos. O próprio Paço reconhece que a recomposição da base governista é essencial para a tramitação da LOA, da LDO e de outros projetos travados nas comissões.
Fontes ligadas à Câmara avaliam que o debate sobre as emendas é “central para a harmonia política”, pois afeta todos os parlamentares, independentemente da sigla ou do grau de alinhamento com o prefeito. “Mabel não precisa comprar essa briga”, avaliou um vereador da base, sob reserva.
Atualmente, o prefeito conta com cerca de 24 vereadores alinhados — número suficiente para manter maioria simples, mas insuficiente para aprovar projetos que exigem quórum qualificado, como vetos e reestruturações administrativas.
Outros projetos em pauta
Além das leis orçamentárias, o Executivo pretende avançar com projetos considerados prioritários, como o vale-alimentação para servidores efetivos plantonistas da Secretaria de Saúde, a prorrogação do Plano Municipal de Educação, e alterações na lei de Parcerias Público-Privadas (PPPs).
Também tramita na Casa o veto do prefeito ao Refis Municipal, protocolado em 4 de novembro. O texto foi encaminhado à Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), presidida por Luan Alves (MDB), e deve ser analisado nas próximas semanas.
A LDO de 2026, retirada temporariamente pelo Paço em setembro, retornou à Câmara no final de outubro e está sob avaliação da procuradoria da Casa. A expectativa é de que o líder do governo, Wellington Bessa, articule a tramitação acelerada para garantir a votação ainda neste mês.
Contexto e desafios
A discussão sobre o Orçamento municipal ocorre em um momento de ajuste político e técnico na administração de Mabel, que tenta imprimir ritmo próprio após herdar a estrutura orçamentária de seu antecessor.
Embora o Executivo defenda uma política fiscal baseada em responsabilidade e previsibilidade, a pressão dos vereadores por maior autonomia e por emendas mais robustas reflete o equilíbrio delicado entre governabilidade e representatividade parlamentar.
A LOA e a LDO de 2026 são consideradas testes políticos cruciais para a consolidação da gestão Mabel e para o fortalecimento de sua base em um ano que antecede a eleição municipal de 2026.
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