Preso foge durante audiência virtual e é suspeito de matar servidor do IF Goiano em Rio Verde
Detento escapou pela janela da sala de videoconferência dentro do presídio. Horas depois, foi recapturado em uma casa com três pessoas. Investigação apura se ele cometeu latrocínio contra funcionário terceirizado do campus, que teve a moto roubada.
Um vídeo divulgado nesta semana mostra o momento em que João Vitor da Silva, de 26 anos, foge da Casa de Prisão Provisória de Rio Verde, no sudoeste goiano, enquanto participava de uma audiência de instrução e julgamento por videoconferência. O caso, que ocorreu na tarde de quarta-feira (23), gerou forte repercussão após o detento se tornar suspeito da morte de Diniz Rodrigues da Silva, servidor terceirizado do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), assassinado poucas horas depois da fuga.
As imagens, registradas dentro da sala do presídio, mostram João Vitor escalando a parede lateral da sala e saindo por uma janela. Um agente penal ainda corre em sua direção, mas não consegue detê-lo. O vídeo também mostra outro preso presente, assistindo à audiência, que nada pôde fazer diante da ação rápida.
Recaptura e suspeita de latrocínio
Após uma operação de buscas durante a madrugada, a Polícia Penal recapturou o fugitivo na manhã de quinta-feira (24). Ele foi encontrado em uma residência de Rio Verde acompanhado de três pessoas — um homem e duas mulheres. Todos foram encaminhados à Delegacia da Polícia Civil, que agora apura os crimes cometidos durante o período da fuga.
Segundo a Polícia Penal de Goiás, além de estar preso por roubo, João Vitor é agora investigado por suspeita de latrocínio — roubo seguido de morte — contra Diniz Rodrigues, de 81 anos, servidor terceirizado que atuava no IF Goiano há cerca de 30 anos. Diniz foi encontrado morto dentro das dependências do campus, e sua motocicleta havia desaparecido.
Resposta institucional e investigação interna
Em nota, o Instituto Federal Goiano lamentou profundamente a perda do colaborador, decretando luto oficial de três dias e a suspensão temporária das atividades no campus Rio Verde. A instituição reiterou sua disposição em colaborar com as autoridades e prestou solidariedade à família da vítima.
Paralelamente, a Corregedoria da Polícia Penal abriu um procedimento administrativo para apurar eventuais falhas de protocolo durante a custódia e condução da audiência virtual. O caso também é investigado pelo Ministério Público de Goiás, que pretende verificar se houve negligência ou fragilidade na segurança interna da unidade prisional.
Audiências virtuais sob alerta: revisão de protocolos é debatida
A fuga expôs fragilidades operacionais nas audiências por videoconferência realizadas dentro dos presídios, prática que se intensificou durante a pandemia e passou a ser rotina no sistema de Justiça. Especialistas em segurança penitenciária alertam que ambientes improvisados, sem contenção adequada, favorecem esse tipo de ação — especialmente em momentos críticos, como a retirada de algemas para participação no ato judicial.
De acordo com fontes internas, o local da audiência virtual não dispunha de grades ou divisórias de contenção, o que permitiu ao detento alcançar a área externa com relativa facilidade. O uso de janelas e a ausência de reforço no monitoramento visual também serão objetos de auditoria técnica.
Contexto do crime e histórico do detento
João Vitor da Silva já possuía passagem por roubo, e, segundo a investigação, estaria envolvido no roubo de uma motocicleta ocorrido logo após sua fuga, o que conecta diretamente sua possível participação no assassinato do servidor. A moto da vítima ainda não foi localizada.
A defesa do detento, em nota, limitou-se a informar que não teve acesso aos autos da investigação sobre a morte do servidor e, portanto, não se manifestaria sobre o mérito. Confirmou apenas que o cliente evadiu-se no momento da audiência, mas não comentou os desdobramentos do caso.
O inquérito policial que apura o homicídio do servidor ainda está em andamento. A expectativa é de que os depoimentos e exames periciais — inclusive em aparelhos eletrônicos e câmeras de segurança do IF Goiano — ajudem a esclarecer se João Vitor foi o responsável direto pela morte e o roubo da motocicleta. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) acompanha o caso com prioridade.
A eventual confirmação de envolvimento no latrocínio poderá ampliar substancialmente a pena do réu, que inicialmente respondia apenas por roubo.
Fontes utilizadas:
– Polícia Penal de Goiás (nota oficial)
– Polícia Civil de Goiás
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