23 de janeiro de 2026
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Corredores Preferenciais e o Comércio de Goiânia: Uma Década de Conflitos e Adaptação

Desde 2011, comerciantes e Prefeitura travam um embate sobre as faixas exclusivas para ônibus; impactos econômicos, mudanças no varejo e as novas expansões seguem em discussão.
Corredor preferencial da Avenida T-63 (Diomício Gomes / O Popular)

O debate sobre os corredores preferenciais de ônibus em Goiânia já dura mais de uma década. Desde a inauguração do primeiro trecho na Avenida Universitária, em 2012, comerciantes e Prefeitura seguem em lados opostos da discussão. A falta de vagas de estacionamento continua sendo o principal ponto de atrito entre os empresários e o poder público, que planeja agora expandir as faixas exclusivas para mais dez avenidas da capital, incluindo a liberação do tráfego para motocicletas.

Se por um lado a Prefeitura argumenta que os corredores otimizam o transporte coletivo e reduzem congestionamentos, por outro, lojistas afirmam que as restrições ao estacionamento prejudicam o fluxo de clientes e a sobrevivência dos pequenos e médios negócios.

O impacto no comércio: fechamentos e adaptações

Em vias como a T-63 e a Avenida 85, que ganharam corredores exclusivos na gestão de Paulo Garcia (PT), os efeitos foram sentidos de formas diferentes. Algumas empresas fecharam as portas, enquanto outras, especialmente grandes redes, se adaptaram e prosperaram. A troca de perfis comerciais também é visível: locadoras de vídeo deram lugar a sorveterias, restaurantes foram substituídos por supermercados, e novas franquias passaram a ocupar os espaços vazios.

Na Avenida Universitária, por exemplo, empresários, reclamam que a ausência de estacionamento afugenta clientes. “Se a pessoa não consegue parar o carro perto, ela simplesmente desiste da compra”, afirma. Segundo ele, a loja só se mantém porque 90% das vendas ocorrem por meio de delivery.

Já na Avenida 85, a empresária Liliane de Sousa relata dificuldades para alugar imóveis comerciais devido à falta de vagas. “Muitas lojas fecharam porque os clientes não querem ter o transtorno de estacionar longe. O comércio aqui está se transformando, e não necessariamente para melhor”, opina.

Por outro lado, Marcus Vinícius Silva, dono de uma franquia de conserto de bicicletas na T-63, vê a questão de forma diferente. Para ele, a faixa exclusiva não impactou os negócios, já que a maioria dos clientes se desloca de bicicleta. “A falta de vagas não me afeta. O que falta é uma ciclovia decente, porque essa aqui é tão estreita que o ciclista mal consegue olhar para o lado.”

Saldo positivo de novas empresas, mas com ressalvas

Dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) indicam que os corredores exclusivos não inviabilizaram o comércio nas regiões afetadas. Em 2015, um ano após a inauguração dos três primeiros trechos, o saldo positivo foi de 139 novas empresas abertas, o equivalente a uma por dia. Em 2025, com os corredores já consolidados, a média se mantém, indicando que há interesse comercial nas áreas.

O presidente do Sindilojas-GO, Cristiano Caixeta, reconhece que novos negócios surgiram, mas ressalta que muitas das lojas que fecharam eram de pequeno e médio porte. “O comércio sobrevive, mas às custas de muitas empresas encerrando atividades. Precisamos criar condições para que esses negócios tenham competitividade, e o estacionamento faz parte disso”, argumenta.

Já Felipe Melazzo, presidente da Ademi-GO, destaca que a valorização das avenidas continua, mas que é preciso uma readequação. “Os corredores são eixos estruturantes no Plano Diretor, e avenidas dessa categoria em outras cidades também não possuem estacionamento. O comerciante precisa entender essa realidade e buscar soluções, como vagas internas nos imóveis”, sugere.

Expansão e futuro do comércio nas novas avenidas

A nova etapa de expansão dos corredores preferenciais inclui avenidas de grande fluxo, como a Jamel Cecílio, onde comerciantes chegaram a vandalizar placas de proibição de estacionamento. O embate entre Prefeitura e empresários deve se repetir, mas a experiência das últimas décadas mostra que, apesar das dificuldades, o comércio encontra formas de adaptação.

Com Goiânia crescendo e enfrentando desafios de mobilidade urbana, a questão dos corredores exclusivos seguirá sendo um tema de debate. Se, por um lado, há ganhos em fluidez no trânsito e incentivo ao transporte coletivo, por outro, a falta de planejamento para estacionamentos e a sobrevivência do pequeno comércio ainda são pontos críticos que exigem soluções inovadoras.

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Marcus

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